Cultura do Hoje e do Medieval


A partir desta edição traremos a baila à discussão de alguns dos grandes ideais defendidos na Idade Média, vividos e cantados nos séculos XI e XII, considerados séculos do amor, que aqui vamos chamar de valores.
Numa de nossas discussões apresentamos a palavra cultura, nela salientamos a cultura como “Kelt” (aquilo que provem das raízes), agora recordamos aquela exposição para nortear este nosso trabalho. Visto que, neste trabalho é importante ter em mente uma cultura especifica, a medieval.
Hoje perguntamos: em que consiste nossa Cultura? Vamos nos analisar: vivemos um mundo sem harmonia, onde tudo está segmentado, dividido, onde a dualidade prevalece. Por exemplo, divide-se a educação em lar e escola, o homem em espiritual e carnal, as coisas em boa ou feias, as coisas em reciclável e não-reciclável. Montamos a cada momento um novo artifício de segmentação e divisão, como que isso nos levasse à valorização do todo.
No mundo atual existe uma grande distância entre o real e o ideal. Vivemos nos propondo coisas, mas nenhuma delas somos capazes de cumprir, ou seja, somos falsos e fingimos para nós mesmos.
Enquanto o medieval não tinha essa compreensão dividida. Quando se falava de Deus subentendia toda a divindade, falava-se em homem, tinha-se o todo, tanto o espírito e a carne. Tudo que era ideal já fazia parte do real. E as propostas eram levadas às últimas conseqüências.
O medieval vivia uma cultura de amor, olhando sempre a grandiosidade das pequenas coisas, cada momento era unicamente importante. Não havia a necessidade de assumir o papel do outro, muito comum em nossos tempos, pois cada homem era completo no que desenvolvia. Lutas sociais seriam impossíveis, pois o artesão era todo artesão e sabia seu papel na sociedade como tal, era feliz naquilo que fazia, fazendo sempre o melhor possível. A plebe era plebe e a nobreza, nobre. O plebeu jamais queria ser rei, bem como o artesão não queria ser senhor. Não havia o crescimento social vertical. Não podemos dizer que hoje devia ser assim, ou diferente. Devemos somente lembrar que a dinâmica do nosso momento é bem outra.
O mundo, hoje, através da das ilusões consumistas momentâneas, constrói e destrói a cada momento o tipo humano. Os meios de comunicação enfatizam o negativo do homem. O que se fala não é o que se vive, fala-se de um sonho incapaz de concreção. Na música mostra-se um amor cantado: o sertanejo, o pagode, o romântico e nunca um amor vivido e encarnado, como os medievais cantavam. Hoje o homem não está completo, ele não é o que é. Apresenta em todo momento um vazio que é impossível de preencher. Destarte, tem a necessidade de criar (não como criador adjunto de Deus) novidades que o separam cada vez mais da sua integridade. O homem se tornou um rei de vontades insaciáveis, busca do prazer, dos bens, da moda, demonstrando que cada vez mais se afasta de sua integridade vital, ele em Deus e Deus nele.
Diz a professora Stella Grazani: “Não há cidadania, o homem não tem mais vez, não há mais espaço. Espaço, somente para o automóvel. Não acompanhamos o caminho do amor. Enquanto subimos na tecnologia, decaímos no amor. Assim, não sabemos mais valorizar o homem, colocamo-nos abaixo das máquinas”.
Queremos, a partir de uma reflexão do mundo medieval, propor uma série de valores como possibilidade de uma nova cultura e de um ser humano novo, satisfeito e íntegro.

Um comentário:

Anônimo disse...
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